Janeiro Branco e a Saúde Mental para Todos

Janeiro Branco e a Saúde Mental para Todos

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O filme “Nise, o coração da Loucura” (dirigido por Roberto Berliner, em 2016, com Gloria Pires no papel da Dra. Nise da Silveira), foi o mote para uma riquíssima apresentação de informações, reflexões e práticas corporais, desenvolvidas através dos comentários da psicóloga Aceli de Assis Magalhães, da arte-educadora Zilpa Magalhães e da vivência proposta pela terapeuta corporal Letícia Larcher Longo. Esta última, ao conduzir uma atividade para ampliar a conscientização dos possíveis bloqueios das expressões corporais dos participantes, provocou uma enorme descontração, fechando o evento com chave de ouro. Foram elas, com a ajuda de toda a equipe do Espaço Viveka, as responsáveis pela realização da atividade intitulada Nise da Silveira: rebeldia e criatividade para a saúde mental. O evento foi viabilizado pela Campanha Janeiro Branco, que procura mobilizar a sociedade em busca da saúde mental, com o objetivo de quebrar tabus, especialmente com os chamados “doentes mentais”.

 

A atividade, realizada em 21/01, contou com destacada presença de estudantes e psicólogos. Nos bastidores, a psicóloga clínica e professora Elaine Palma (Espaço Arte Música e Consciência) confirmou a importância desta campanha, ressaltando a urgente tarefa de buscarmos políticas públicas que visem ao bem-estar psíquico de todas as pessoas.

Durante o evento, a psicóloga Aceli trabalhou com algumas cenas do filme, mostrando alguns dos métodos científicos utilizados no contexto das décadas de 1940-50, à luz dos atuais estudos psiquiátricos. Nesse caminho, ela enfatizou principalmente o olhar de Nise da Silveira (uma das mais renomadas médicas de orientação junguiana da psiquiatria brasileira), que viu como tortura os pretensos tratamentos de cura para a saúde mental, contrapondo-se a muitos de seus pares. O trabalho feito pela psiquiatra, por meio da arte, das oficinas e outras atividades realizadas no Centro Psiquiátrico Nacional do Engenho de Dentro (que depois foi chamado “Centro Psiquiátrico Pedro II” e, atualmente, “Instituto Municipal Nise da Silveira”) foi surpreendente e deixou evidente como a Expressão e a Criação podem ser caminhos para a Saúde Mental.

A seguir, a arte-educadora Zilpa Magalhães mostrou algumas imagens do ambiente artístico daquele período (Modernismo), ressaltando a presença fundante do crítico de arte Mário Pedrosa naquele contexto histórico-cultural. Para ele, “a arte poderia recuperar uma liberdade criadora, que estaria presente na arte primitiva, na arte das crianças e dos ditos “doentes mentais”, procurando relacionar, sobretudo: arte, política e sociedade”, disse Zilpa.

Por e-mail, fizemos contato com a participante Viviane Luz, que carinhosamente enviou sua avaliação pessoal sobre o encontro:

-“Uma atividade muito rica para aproximar / reforçar o elo com a psicologia. A dinâmica pela qual se deu foi produtiva, primeiro o filme depois a discussão. O que poderia mudar é o tempo de discussão, pois a troca entre os profissionais seria muito construtiva, dado que o público é bem misto, estudantes, graduados e profissionais”.

A seguir, ela também nos informou se o evento proporcionou algum conhecimento a mais na sua área de estudo ou profissional:

-“Pode-se dizer que sim. Não conhecimento teórico / técnico, mas de experiência. Reforçou mais a importância da psicologia e a arte como meio de linguagem / comunicação, isso se refere ao filme até a dinâmica aplicada no final, pois o próprio movimento do corpo é uma maneira de comunicação entre o mental e físico”.

 

Aguardem as próximas atividades a serem realizadas no Espaço Viveka, como “Nise da Silveira: rebeldia e criatividade para a saúde mental”, 2ª Edição do Janeiro Branco (4/2); Percepções Urbanas, com o professor Luís Octávio Rocha (11/2); e a Tarde de Autógrafos, com Arthur Iraçu (18/2).

 

Ficou interessado (a) em participar dos eventos? Informe-se sobre as inscrições de segunda a sexta-feira, das 14h às 21h na secretaria do Espaço Viveka, com Jacqueline.

 

Endereço: Rua Professora Sebastiana Silva Minhoto, 375 – próxima ao metrô Carrão, em São Paulo. Outras informações podem ser obtidas pelos telefones: (11)2295-7961 ou (11)2225-1285.

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