A travessia humana em A HORA E A VEZ DE AUGUSTO MATRAGA, no Espaço Viveka

A travessia humana em A HORA E A VEZ DE AUGUSTO MATRAGA, no Espaço Viveka

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“Matraga, não é Matraga, não é nada, ou melhor, Matraga é Esteves, o nhô Augusto Esteves, filho do Coronel Afonso Esteves, lá das pindaíbas (…)” “(…) Eu vou pro céu pro bem ou pro mal, nem que seja a porrete (…)” “(…) Deus mede a espora pela rédea e não tira o estribo do pé de arrependimento nenhum (…)” “(…) Que é? você tem perna de Manoel Fonseca, uma fina outra seca (…)” “(…) A roupa lá de casa não se lava com sabão, lava com ponta de sabre e bala de canhão (…)” ”(…) Mariquinha é como a chuva, boa pra quem quer ver, ela sempre vem de graça, só não sei quando ela vem (…)”.

 

Os trechos acima fazem parte do conto de Guimarães Rosa, “A hora e a vez de Augusto Matraga”, do livro Saragana. Esses fragmentos foram alguns daqueles ressaltados pela professora de literatura Neusa D’Onofrio, que deu início à contação dessa história na tarde do último sábado (18/03), na sala Anita do Espaço Viveka. Utilizando-se de recursos sonoros como pandeiro, pau de chuva, reco-reco, entre outros, ela contou e encantou o público com seu jeito ímpar de mergulhar no clima do sertão roseano.

 

Após concluir a narrativa, que deixou muita gente emocionada, a professora colocou uma apresentação em Power Point, para que os convidados resgatassem e analisassem a travessia mítica do conto. Segundo ela, a dimensão mítica é constante na obra de Guimarães Rosa, que ultrapassa a barreira do regionalismo para ocupar um espaço/tempo maior. “A ideia é mostrar que, independente do local, do espaço, do lugar onde se vive e da língua que se fala, ou da época em que se insere a narrativa, o pensamento e a imaginação expandem-se para uma região mais etérea, mais mítica. O conto trata da própria travessia humana, onde nós nos identificamos com o texto, envolvidos também com as forças do bem e do mal, existentes em muitos de nós”, afirma Neusa.

 

A seguir, em atmosfera de muito entusiasmo, Neusa abriu espaço para que os presentes pudessem fazer seus comentários, enriquecendo ainda mais a atividade.

 

Um dos participantes foi o tradutor Carlos Henrique França Rangel, que disse que a atividade explorou uma abordagem de Guimarães Rosa, que até então ele desconhecia. “A partir dessa narrativa, abri o caminho para fazer uma exploração maior do aspecto do autor. Como se trata de temas universais, entre o bem e o mal, as provações e as transformações que cada um de nós vivencia, conseguimos resgatar temas com maior abrangência. Sendo uma estrutura mítica conseguimos identificar essa relação com as nossas vidas”, explica Carlos.

 

Na opinião da geógrafa aposentada Sueli Rodrigues Gualtieri, a guerra de Augusto Esteves Matraga é a guerra de todos nós. “Ele começou como nhô Augusto Esteves e ficou como nhô Esteves e depois por último ele era Augusto. Em nossas vidas sofremos todo esse processo. Na medida em que envelhecemos vamos perdendo nossas funções sociais, deixamos de ser algo para ser outro ser. É um processo não só interior, mas que nos leva para outras passagens”, diz Sueli que elogiou a professora Neusa pela capacidade de guardar um texto longo, ser fiel à narrativa e fidedigna a obra. “Ela conseguiu passar para nós a leitura de Guimarães Rosa e não a leitura da Neusa, porque nós, na maioria das vezes, tentamos colocar as nossas interpretações”, conclui ela.

 

A adolescente Vivian Rocha Alves, de 13 anos, questionada sobre o que achou da atividade, disse que adorou o conto, principalmente porque é diferente dos livros que ela lê. “Leio autores totalmente opostos, mas a partir desse conto, sem dúvida, fiquei curiosa para conhecer mais sobre Guimarães Rosa. Percebi que cada um de nós tem dois lados, que muitas vezes nos deixa em dúvida em fazer ou não fazer determinada coisa”, diz Vivian que adorou a forma como foi narrado o conto, principalmente, com a ajuda de alguns instrumentos, que contou com o auxílio das expressões faciais e corporais, utilizadas pela professora Neusa D’Onofrio, que deu ainda mais vida à obra do autor.

Por fim, o evento foi encerrado com um bate-papo movido a café e bolo (feito pela própria Neusa), no cantinho do CafeZinho do Espaço Viveka.

 

Mais atividades vêm por aí

 

No próximo sábado, dia 25 de março, das 9h às 16h, a equipe do Espaço Viveka promove um novo evento intitulado Jogos e Cognição, voltado para psicólogos, estudantes de Psicologia, Psicopedagogos e Terapeutas Ocupacionais. Um dos objetivos da atividade é trabalhar com a memória e a atenção na aprendizagem, por meio de jogos e funções cognitivas observadas.

 

É necessário realizar inscrição antecipadamente com a Jacqueline no telefone (11) 2295-7961, a partir das 14h. O Espaço Viveka fica localizado na Rua Professora Sebastiana Silva Minhoto, 375 – próxima ao metrô Carrão, em São Paulo. Outras informações podem ser obtidas também pelo telefone: (11) 99225-2074.

 

Outra novidade que vem por aí, é a primeira Sessão Pipoka do ano, com a exibição do filme Beleza Americana, com os comentários das psicólogas Ana Maria Ferreira e Carolina Kokkinos. A sessão de cinema será no dia 01 de abril, às 14h30. Participe!

 

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