Autismo foi tema de palestra no Espaço Viveka.

Autismo foi tema de palestra no Espaço Viveka.

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Renata Magalhães, uma das profissionais do Espaço Viveka e estudante do sexto ano de psicologia, deu inicio à última palestra realizada no local, no sábado, dia 6 de maio. Através de slides, ela mostrou aos participantes do evento as atividades realizadas cotidianamente no Espaço, como os ateliês e as psicoterapias, além de indicar os cursos que ocorrerão em breve. A seguir, ela passou a palavra para a palestrante Cynthia M. Magalhães, psicóloga que possui especialização em psicopedagogia e neuropsicologia, que debateu sobre: “O Brincar na Clínica com Crianças Autistas”. O tema foi escolhido em função da complexidade do assunto.

 

Na oportunidade, Cynthia lembrou que, desde sua formação, sempre trabalhou com casos de Transtornos do Desenvolvimento, em função de seu interesse no entendimento da criança como um todo. “Costumo dizer que gosto de olhar essas crianças como um todo, deixando de olhar apenas a parte comportamental, ou familiar, ou social por exemplo”, conta.  Seu foco atual está voltado para o autismo, lembrando que as pessoas com este transtorno têm grande dificuldade de focar o olhar e, portanto, montar o todo, por isso a dificuldade em olhar nos olhos, característica presente no TEA (Transtorno do Espectro Autista).

 

Ela explica que, a partir da última edição do Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o chamado DSM, em sua quinta edição, é que foi feita toda a mudança para o termo TEA. Isto porque, até a edição anterior, este transtorno era caracterizado como um Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD), passando agora a ser especificado em separado, como Espectro com seus diferentes graus.

 

Cynthia destaca que boa parte dos casos de autismo tem relação com o sistema neurológico, ou seja, o cérebro não completa as sinapses, diferentemente das crianças com desenvolvimento típico. Existem, segundo ela, outros estudos ligados à questão alimentar e cultural, porém não é o foco dado pela palestrante. Outro fator é a questão ambiental, pois quando o ambiente se mostra empobrecido (com poucos estímulos tanto culturais como nutricionais), há possibilidade do transtorno também ser desenvolvido.  “Muitas vezes é necessário que a gente cuide desses fatores para nos cercarmos de diversos cuidados, para que algumas crianças não venham a desenvolver o autismo”, adverte ela, que completa dizendo que, em alguns casos, o TEA está associado também a doenças pré-existentes da mãe durante a gestação, a exemplo da toxoplasmose.

 

Cynthia esclarece que as crianças com autismo têm um comportamento atípico, consequência do desenvolvimento que ocorre de forma singular, gerando uma dificuldade na socialização e na comunicação. “A prevalência em desenvolver o autismo é mais em meninos do que em meninas. No total são 63% de crianças autistas no mundo todo”, descreve ela, ao dizer que esse número cresceu muito nos últimos anos, mas a pergunta que se faz é: cresceu o número de autistas, ou foi o número de diagnósticos que cresceu?

 

“As formas de aprendizado” foram outro assunto debatido pela psicóloga, que explica que as crianças autistas aprendem sim, só que de uma forma diferente. Segundo ela, primeiro precisamos aprender qual é o interesse dessa criança, do que ela gosta, e também que “isso não deveria ser dirigido apenas aos autistas, mas a todas as demais crianças”. Ela diz ainda que o aprendizado envolve principalmente fatores ambientais. As crianças dentro do Espectro precisam ter algo a mais, que desperte nela a interação por meio de uma real aprendizagem. “Elas têm grande dificuldade de interagir com o meio, mas é possível criar um vínculo, fazer uma aliança com ela para que haja essa interação”, ressalta, “pois é nessa interação com o outro que elas se reconhecem e, portanto, conseguem aprender”.

 

O aprendizado, segundo a psicóloga, ocorre principalmente por meio do visual. “Por isso”, explica, “é preciso adaptar o material pedagógico, sempre de forma visual. Depois, o trabalho pode ser feito com as letras, as frases e as figuras, apesar de que o olhar delas sempre foge, assim é necessário ensinar a olhar para compreender o que está sendo proposto”, conclui.

 

O tratamento do TEA é multidisciplinar, mas a Psicoterapia Cognitiva Comportamental desenvolveu alguns métodos específicos para trabalhar com esta população, a exemplo, do Denver. A interação e o brincar no autismo foram outros temas debatidos pela profissional, que encerrou a atividade com a apresentação de alguns vídeos, brincadeiras e jogos, que podem ser propostos a essas crianças.

 

Durante a atividade também foi proposto aos participantes responder o que representa e qual a importância do brincar na vida das crianças. As respostas surpreenderam a todos.

 

O arte-educador Carlos Henrique disse que seu interesse em participar da palestra foi mais pessoal, porque futuramente quer trabalhar com pessoas que têm necessidades especiais.  “O que mais gostei da atividade foi a oportunidade das pessoas conversarem sobre o assunto, e interagirem durante a palestra. Isso faz com que surjam questões pertinentes. Outra coisa que achei interessante é o indagar que as pessoas têm com relação ao brincar com as crianças autistas”, afirma Carlos que elogiou a iniciativa do debate.

 

Na opinião de Andreia Maria da Silva, o tema “brincar” chamou sua atenção. “O brincar é muito importante para a criança, pois ela internaliza as emoções, conhece e aprende com o mundo. A criança autista possui algumas limitações e por meio do brincar, conseguem se sociabilizar e interagir com as outras. Ela tem esse direito como todas as demais” enfatiza. E concluiu dizendo que gostou dos vídeos e que desconhecia alguns métodos apresentados por Cynthia.

 

A psicanalista Erminia Herrero disse que sempre foi apaixonada pelo tema autismo. “A palestra atendeu bem as minhas expectativas. Tive um bom parâmetro para observar a partir de agora com mais atenção para as crianças autistas”, conclui ao lembrar que seu interesse em participar da atividade é em função também de ter um familiar com diagnóstico de autismo.

 

Mais atividades vêm por aí

 

No sábado do dia 03 de junho, a Psicóloga Dra. Aceli de Assis Magalhães promoverá um encontro de Iniciação à Leitura de Símbolos: uma introdução à leitura de alguns dos símbolos presentes em sonhos, desenhos, narrativas e imagens em geral.

O trabalho será desenvolvido em duas etapas: pela manhã, das 9h30 às 12h30, Introdução às Linguagens Simbólicas; à tarde, das 14h30 às 17h30, exercícios práticos de leitura de imagens.

O encontro é voltado para profissionais e estudantes das áreas de psicologia, educadores, artistas e estudantes de arte, além de interessados em geral.

 

Participe!

 

É necessário realizar inscrição antecipadamente, pelo telefone (11) 2295-7961, a partir das 14h. O Espaço Viveka  fica localizado na Rua Professora Sebastiana Silva Minhoto, 375 – próxima ao metrô Carrão, em São Paulo. Outras informações podem ser obtidas também pelo telefone: (11) 99225-2074.

 

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