Espaço Viveka em “Um Percurso Poético”

Espaço Viveka em “Um Percurso Poético”

Cicero Dias - Brincadeira de crianças

Cicero Dias – Brincadeira de crianças

“O que vivia dentro era um sonho. Contradições que a natureza criava: o invisível e o visível. As raízes da infância, inseparáveis de mim. Profundas mesmo. Vivia de costas para o realismo. Ao encontro da poesia”.  Esses trechos fazem parte dos registros de um importante artista pernambucano, que motivou a Equipe do Espaço Viveka a prestigiar suas obras na exposição “Cícero Dias: Um Percurso Poético 1907-2003”.

A visita foi realizada no dia 01 de julho e contou com a presença de um grupo de pessoas que, até então, dizia desconhecer a importância desse pintor brasileiro.

 

A exposição, que foi mediada pelas nossas arte-educadoras Léia M. Freire e Zilpa Magalhães, teve como propósito apresentar as obras desse grande artista, evidenciando sua relação com poetas e intelectuais, além de sua participação no circuito europeu. A mostra foi organizada em três núcleos principais: Brasil, Europa e Monsieur Dias – Uma vida em Paris -, cada um deles dividido em novos segmentos, propondo leituras cruzadas e simultâneas.

 

Cícero Dias nasceu no dia 5 de março de 1907, no Engenho Jundiá, município de Pernambuco. Aos treze anos de idade, mudou-se para o Rio de Janeiro e lá cursou arquitetura e pintura, na Escola Nacional de Belas Artes (ENBA, 1925). Não concluiu os estudos, decidiu-se pela pintura e aproximou-se de vários artistas modernistas como Di Cavalcanti, Ismael Nery, Murilo Mendes, Oswald de Andrade, entre tantos outros. Assim, nosso pintor tinha apenas quinze anos de idade quando aconteceu a “Semana de Arte Moderna” em São Paulo (1922). Mas, nessa mesma direção, juntamente com Gilberto Freyre e Manuel Bandeira, organizou o “Primeiro Congresso Afro-brasileiro”, um evento que consolidou o movimento modernista em Pernambuco (1929) e de igual repercussão.

Dois anos mais tarde, participou do Salão Revolucionário, na ENBA, apresentando a mais polêmica de suas obras, que chocou o público a ponto de rasgar boa parte do trabalho. Tratava-se de um painel de 15 metros de comprimento, em média, intitulado “Eu vi o mundo… ele começava no Recife”. A pintura, com centenas de figuras de diferentes tamanhos e situações, abordava as impressões do artista, de seu mundo interior, avizinhava-se da literatura de cordel, tão popular no nordeste brasileiro.

Como simpatizante do Partido Comunista, Cícero Dias foi preso em 1937, durante as pressões políticas do Estado Novo de Getúlio Vargas. Nessa ocasião, acabou por fixar-se em Paris, cidade em que viveu boa parte de sua trajetória artística, até que faleceu em 2003, aos noventa e cinco anos de idade. Foi na capital francesa que o crítico de arte André Salmon o descreveu como um “selvagem esplendidamente civilizado”, referindo-se à sua capacidade de unir a vida do engenho à vanguarda europeia.

Mas, com a França ocupada, em 1942 ele foi preso pelos nazistas, junto com um grupo de brasileiros (dentre eles o escritor Guimarães Rosa) e enviado a Baden-Baden, na Alemanha. Por fim, o governo brasileiro fez uma troca de espiões e ele foi libertado. Entre 1943 e 1945, viveu em Lisboa como Adido Cultural da Embaixada do Brasil.

Então, como tantos outros artistas do período pós-guerra, o pintor se distanciou da figuração e se aproximou dos abstracionistas, especialmente dos seguidores da vertente geométrica. Nesse caminho, afastou-se de modelos encontrados na natureza, ao mesmo tempo em que manteve a vibração de suas cores.

A partir dos anos 1960, Cícero retornou à figuração, às memórias de sua infância, criando uma atmosfera de sonhos ainda mais marcantes, sem abandonar as experimentações geométricas em ângulos e curvas. Foi um retorno esplêndido à sua juventude e às lembranças de sua terra natal, trazendo de volta o imaginário lírico combinado com imensa maturidade plástica.

 

Durante a visita organizada pela equipe do Espaço Viveka, que foi movida a investigações e descobertas, o grupo convidado mostrou-se encantado com as cores, formas e narrativas do artista, além de seu interesse em experimentar tendências tão diferentes.

 

Uma das participantes que marcou presença na exposição foi Maria Saki Shinohara, que se revelou perplexa, questionando o desconhecimento geral do nome desse artista no rol dos grandes e mais comentados da mídia. “Percebi um artista irreverente, inovador e transformador. Logo na entrada, vimos as aquarelas tratadas com a naturalidade das crianças, quando utilizam material tão singelo e desenhos sem precisão, mas com toda uma técnica para mostrar seu pensamento em relação às pessoas e lugares, e que foi melhor percebido em outras obras”, explica Saki. Na sequência, ela disse que percorreu cada sala, permitindo um contato com as diferentes fases do artista, inserido num momento da história que foi o pano de fundo para as transformações em seus quadros. E, para concluir, Saki fez um agradecimento à equipe do Espaço Viveka: “Quero agradecer a Viveka por mais este tour artístico, porque foi uma viagem no tempo e no espaço. Me senti num outro período da história através da arte”.

 

E atenção…

No mês de agosto Viveka no Museu será no MASP, onde veremos “Toulouse-Lautrec Em Vermelho”.  Aguarde o agendamento e… Participe!

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